Produção de Transporte Coletivo (PTC)

Sempre tive problemas com locomoção. Nada por causa de impossibilidades físicas, ordens de restrição ou coisas do gênero. O impedimento é lamentavelmente mais óbvio e tenho o desprazer de compartilhá-lo com 100% da população da cidade de São Paulo: o trânsito. (Por sinal, já pararam para pensar como esse termo é mal empregado? A grande dificuldade que as pessoas enfrentam para ir de um lugar a outro é justamente a impossibilidade do trânsito… Seria ótimo transitar sem transtornos!)

Um paulistano, segundo dados de uma pesquisa recente da SPTRANS, demora uma hora para ir de casa ao trabalho e mais uma hora para fazer o trajeto oposto, em média. Eu levo o dobro do tempo e acho um sortudo esse brasileiro da pesquisa.

De qualquer modo,  macaco velho com anos de engarrafamento nas costas aprende alguns truques: desenhar no ônibus e no Metrô é o melhor deles, sem dúvida. Hoje, tenho o prazer de compartilhar, diretamente da linha azul do Metrô e da Av. Rebouças em horários de pico, um pouco da Produção de Transporte Coletivo 2012.

Talvez pareça pouca coisa, de fato é. Ainda há bastantes imagens que não digitalizei, mas, para assegurar que um eventual número baixo coloque em xeque a contundência do trânsito paulistano, meu próximo objetivo é evoluir minha skill ao nível de desenhar em pé, com uma só mão segurando bloco e lápis, num espaço que impossibilite aberturas de braço que ousadamente excedam 30º em relação ao tronco. Quem anda de transporte coletivo na terra da garoa sabe: moleza!

Quando a senhorita Omtrek acordou, um dromedário comia pistaches vestido de gueixa…

Há mais ou menos um ano, comuniquei aos amigos que eventualmente acessavam meu blog que o tiraria do ar para alterar seu template. Disse também que não levaria mais que alguns dias.

O que aconteceu para que duas semanas se transformassem em mais de doze meses?

Aconteceu um estágio.

Aconteceram as últimas disciplinas da faculdade.

Uma socialização aqui e outra ali.

Depois, um TCC, uma crise e outra vez um TCC.

Aconteceu uma apresentação e o fim de um ciclo de sete anos.

Um emprego de assistente arte no primeiro dia útil de 2012.

Aconteceram muitos desenhos entre uma coisa e outra, cursos, palestras e o que mais aparecesse sobre artes e histórias em quadrinhos.

Apontando assim até parece que foram muitas coisas, mas, na verdade, não deve ter sido mais do que você fez… é provável que tenha sido menos, inclusive. A diferença é que, nas mãos da pessoa certa, o que seria só um desvio se transforma num jogo de cabra-cega no labirinto do Minotauro (sem qualquer conotação sexual, claro). E eu sou a pessoa mais que certa, pode acreditar.

Mas essas são águas passadas e a volta do ARGD é o melhor jeito de confirmar isso.

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